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Um passeio pelas ruínas romanas de Lisboa

Debaixo dos edifícios, ruas e praças centenárias de Lisboa, existem ruínas com mais de vinte séculos de história que pertenceram a uma cidade construída pelos romanos. Quem nos revelou a Lisboa Romana foram as arqueólogas Inês Ribeiro e Raquel Policarpo, proprietárias da Time Travellers, uma agência que faz passeios por diversos sítios arqueológicos de Portugal.

Inês Ribeiro apresentando o Museu do Teatro Romano.

Neste sábado, 05, participei de um desses passeios. A visita estava na programação das Festas da Arqueologia, evento organizado pela Associação dos Arqueólogos Portugueses. Guiados por Inês e Raquel, eu e um grupo formado por portugueses, americanos e um casal de brasileiros que conheci em Lisboa, Larissa e Glauber, visitamos sítios arqueológicos que apresentam vestígios da ocupação romana. Entre os locais, estão o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (NARC) e as Ruínas e o Museu do Teatro Romano. Para entender o que foi descoberto, é preciso saber um pouco sobre o que representou esse período.

  • A Lisboa Romana
  • A história dessa ocupação começa em 138 a.C, período em que os romanos expandem seus domínios até a faixa atlântica da Península Ibérica. O povoado, que recebeu o nome de Felicitas Julia Olisipo, se desenvolve na colina do Castelo de São Jorge e cresce em direção ao rio Tejo. Na encosta da colina, onde está o Museu do Teatro Romano, se concentravam as atividades administrativa, lúdica e comercial. Já a zona ribeirinha era destinada para uma das principais atividades industriais da época: a produção de conservas e molhos de peixe. As necrópoles ficavam nas regiões onde atualmente é a Praça da Figueira e na área da Rua dos Remédios, em Alfama.

    Com o fim do império romano, no século V, a cidade de Olisipo foi invadida por povos bárbaros, como os suevos e depois os visigodos. Em 714, começa outra época marcante da cidade, o período mouro.

    Os povos que ocuparam a região após os romanos aproveitaram as construções antigas e deram novas finalidades. O que não foi destruído ou reaproveitado ficou soterrado por séculos. Mas alguns vestígios vieram à tona com os trabalhos de reconstrução de Lisboa após o grande terremoto de 1755, que destruiu a cidade. Contudo, nessa época era mais importante a reconstrução urbana do que a recuperação do passado romano. Apenas na segunda metade do século XX, os trabalhos arqueológicos puderam avançar. As ruínas que hoje são visitáveis foram descobertas e recuperadas em períodos diferentes e, muitas vezes, de forma acidental, como em obras das linhas de metrô, de edifícios e de estacionamento.

  • Roteiro das Ruínas Romanas de Lisboa
  • No mapa abaixo, vocês podem identificar os locais que apresentam ruínas romanas. Com exceção das Galerias da Rua da Prata, todos podem ser visitados em qualquer época do ano.


    Visualizar Roteiro por Lisboa Romana em um mapa maior

    NARC – Núcleo Arqueológico das Rua dos Correeiros

    Ânforas da fábrica de conservas de peixe do período romano

    No início da década de 1990, as obras de um estacionamento subterrâneo para os funcionários do Banco Millenium bcp foram interrompidas após um valioso achado histórico: ruínas de uma fábrica de conservas de peixes da época da ocupação romana. Entre 1991 e 1995, os arqueólogos escavaram uma área de aproximadamente 850 m² a uma profundidade de 3,50 m, onde encontraram mais 800 vestígios que remontam aos séculos V e II a.C, período que corresponde à Idade do Ferro. Portanto, o espaço do NARC tem mais de 25 séculos de história e marcas anteriores e posteriores à fudação da cidade de Olisipo. Da época romana, além dos tanques, foram encontradas vasilhas e ânforas, que serviam para o armazenamento de azeite e das conservas. Entre os séculos V e IX, a área foi usada como necrópole. Após a ocupação árabe, os mouros transformaram o local em um depósito de frutos secos. As escavações também deixaram à mostra para os visitantes a estrutura anti-sísmica típica dos edifícios da Baixa pombalina, que foram reconstruídos após o terremoto de 1755. Por isso, quem gosta de história, arqueologia e arquitetura não pode deixar de ir ao NARC durante uma visita a Lisboa.

    Site: http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/fundacaobcp/nucleoarqueologico
    Endereço: Rua dos Correeiros, nº 9 r/c Baixa de Lisboa
    Visitas: Quintas-feiras: 15h às 17h / Sábados: 10h às 13h; 15h às 17h.
    Entrada gratuita

    Galerias Romanas da Rua da Prata
    Na movimentada Rua da Conceição, que se destaca nos mapas turísticos por servir de acesso à Se de Lisboa para quem sobe a partir da Rua Augusta, está localizada a entrada para um grande conjunto de galerias romanas. As ruínas, que se concentram no sub-solo da Rua da Prata, também foram descobertas após o terremoto de 1755 e, desde então, muito se especulou sobre a sua função na cidade romana. Atualmente, a hipótese mais aceitável é de que as galerias seriam usadas como criptopórtico, como eram designadas as construções subterrâneas abobodadas que tinham a função de sustentar os edifícios romanos. Infelizmente, não pudemos visitá-las durante o passeio, já que estão abertas para a visitação apenas 3 dias por ano, no final de setembro. Nesses dias, turistas e moradores chegam a esperar horas em filas para conhecer as galerias.

    Site: http://www.museudacidade.pt
    Endereço: Rua da Conceição, 71. Baixa de Lisboa
    Visitas: Apenas no final do mês de setembro
    Entrada gratuita, com marcação prévia.

    Lápides das Pedras Negras
    No início da Travessa da Almada, no sentido de quem sobe do Largo da Madalena para a Rua das Pedras Negras, é preciso observar atentamente, à esquerda, a fachada lateral de um edifício onde foram inseridas 4 lápides com inscrições em latim que remontam ao período romano. As lápides e outros vestígios, que pertenceriam a um templo dedicado a Cibele, foram encontradas em 1747, durante as obras de construção do edifício.

    Endereço: Travessa do Almada, 1200, Lisboa

    Museu do Teatro Romano

    Mármores e estátua do Museu do Teatro Romano

    Uma grande armação metálica, na Rua de São Mamede, cobre a área onde os romanos construíram o Teatro de Olisipo, na primeira metade do século I. O teatro, que tinha capacidade para atrair de 3 a 5 mil espectadores, serviu como principal espaço para as atividades lúdicas da cidade até o século IV. Depois de abandonado, passou para uso privado. A edificação ficou soterrada até 1798, quando foi encontrada acidentalmente durante as obras de reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755. Mas o Marquês de Pombal, que controlava os trabalhos de recuperação da cidade, não teve interesse em recuperar o passado romano do local, tarefa assumida pelos arqueólogos que iniciaram as escavações em 1964. O que foi encontrado, como estátuas, colunas de mármores e outras peças, está disponível nas ruínas e no Museu do Teatro Romano, localizado no edifício contíguo. Vale a pena visitar o museu porque, além do acervo, oferece uma das melhores vistas de Lisboa.

    Site: http://www.museuteatroromano.pt/
    Endereço: Rua de São Mamede nº 3 / Pátio do Aljube nº 5, Lisboa
    Visitas: Terça a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h. Encerra 2ª feira e feriados
    Entrada gratuita.

    Sé de Lisboa
    Nosso passeio foi concluído em frente à Sé de Lisboa, a catedral mais antiga da cidade, construída em 1147. Com as escavações iniciadas na década de 1990, os arqueólogos encontraram, sob os claustros, vestígios da ocupação romana e da posterior ocupação árabe, como muros de lojas e de habitações. A hipótese é de que nessa região se concentravam as atividades comerciais da Olisipo.

    Endereço: Largo da Sé, Lisboa.
    Visitas: A igreja está aberta diariamente, de 9h às 19h. Domingos e segundas-feiras, até 17h. Os claustros estão abertos de 10h às 18h30 (ou 17h no inverno).
    Entrada gratuita na Igreja, mas a visita aos claustros custa 2,50 euros.

    Visitas guiadas: Para agendar passeios a sítios arqueológicos com a Time Travellers, ligue para (+351) 965 107 188 / (+351) 965 107 138, ou envie um e-mail para: geral@timetravellers. Site da agência: http://www.timetravellers.pt/

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    Nem todos os nomes são aceitos em Portugal

    No Brasil, quando uma mulher anuncia que está grávida, todos os membros da família e os amigos mais íntimos dão sugestões de nomes para a criança que nascerá. Quando os pais ainda têm dúvidas, podem consultar um dicionário de nomes próprios ou apelar para a numerologia. Mas se estivessem morando em Portugal e fossem cidadãos portugueses, a primeira consulta que eles teriam que fazer seria na lista dos nomes admitidos ou proibidos do IRN – Instituto dos Registos e do Notariado (clique aqui para ver a lista atual, em PDF).

    Isto porque, na terra onde nasceu José Saramago – que escreveu, entre outras obras, o livro Todos os nomes – a escolha dos nomes para os recém-nascidos é regulamentada por lei, mais precisamente, pelo artigo 103 do Código de Registo Civil. A regra é clara no Portal do Cidadão:

    Nomes próprios: devem ser portugueses e admitidos pela onomástica portuguesa (catálogo de nomes próprios) ou adaptados gráfica e foneticamente à Língua Portuguesa e não devem suscitar dúvidas acerca do sexo. Aos irmãos não devem ser dados os mesmos nomes próprios, a não ser que um deles já tenha falecido. Existe ainda uma lista de vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios resultantes de despachos a consultas formuladas ao Director-Geral dos Registos e do Notariado.

    Produção da lista dos nomes aceitos ou vetados

    O catálogo de nomes permitidos ou proibidos é atualizado periodicamente desde a década de 1950. A consolidação da lista é feita com base nos pareceres emitidos pelo IRN para as consultas feitas pelos pais a respeito da admissibilidade de um nome. Por exemplo, alguém reclamou nesse período a admissão do lindo nome Sarita. Um técnico do IRN analisou o pedido sob os aspectos morfológico, gráfico, sociológico e cultural e deu a seguinte resposta:

    Suponho que meu nome não seja admitido pelas autoridades portuguesas porque é diminutivo de Sara, em espanhol. Mas como eu nasci no Brasil, não houve nenhum impedimento legal para que meu pai pudesse homenagear a cantora Sarita Montiel. :-)

    País das Marias e dos… Rodrigos

    No geral, os portugueses são tradicionalistas na escolha dos nomes dos seus filhos. Os dados do IRN apontam que os nomes mais registrados em Portugal em 2011 foram Maria (5040 registros) e Rodrigo (2541 registros), sendo que nasceram 97.112 bebês nesse período. Por que Rodrigo é o nome da moda eu não sei dizer, mas a hegemonia do nome Maria deve ser pela tradição de homenagear a mãe de Jesus, já que Portugal é um país bastante católico.

    Conforme o blog Nome dos Portugueses, outros nomes bem comuns por aqui são Leonor, Matilde, Mariana, Ana Beatriz e Inês, no clube das meninas, e João, Martim, Afonso, Tomás, Gonçalo, Francisco, Tiago, Diogo, Guilherme e Pedro, no clube dos meninos.

    Ida e Volta
    Quando busquei informações sobre o catálogo dos nomes admitidos em Portugal, encontrei um bom artigo sobre o assunto escrito pelo professor Ivo de Castro. Ele também mostra que o país já teve muitas escolhas de nomes excêntricas:

    Poderia dar exemplos actuais de escolhas excêntricas, mas fico-me por um do Doutor Leite: certo pai chamou à sua filha Volta, em memória de outra já falecida, que se chamava Ida (Leite, 90).

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    Percorrer a Mouraria: o centro multiétnico de Lisboa

    Mouraria - Rua Marquês de Ponte do Lima

    Na semana passada, aproveitei o Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, 18 de abril, para conhecer a Mouraria, um dos bairros históricos mais emblemáticos de Lisboa. Durante o percurso, notei que já havia passado por algumas ruas em pelo menos 2 momentos, mas passar não é conhecer. Precisava ser apresentada ao local. A apresentação foi feita pelos arquitetos Teresa Duarte, Falcão Campos, Luís Braga e pelo arqueólogo Antonio Marques, profissionais envolvidos no Programa de Ação QREN Mouraria, um programa que abrange a repavimentação das vias, recuperação de alguns edifícios e renovação de praças. Além deles, também estava presente o historiador José Sarmento de Matos.

    Visita guiada pela Mouraria

    O percurso teve início no Largo Adelino Amaro da Costa, depois seguiu pelas Rua do Regedor, Largo do Trigueiro, Rua Marquês de Ponte do Lima, Rua da Guia, Largo da Severa, Rua do Capelão, Rua da Mouraria, Rua do Benformoso e terminou no Largo do Intendente. O trajeto está representado nas linha laranja do mapa abaixo, que está no site http://www.aimouraria.cm-lisboa.pt/. Enquanto percorríamos as ruas, ouvíamos as explicações técnicas e históricas, informações sobre o presente e
    passado, muitas vezes abafadas pelo ruído dos tratores e homens em obra. O que me interessava mais era a explicação histórica.

    Percurso Turístico-Cultural da Mouraria. Imagem do Programa de Ação QREN Mouraria. / Clique para ampliar.

    Herança dos mouros

    As obras na Mouraria são acompanhadas por arqueólogos porque o local começou a ser povoado na Idade Média e existe a possibilidade de encontrar objetos utilizados pelas populações mais antigas. As origens da Mouraria remontam ao ano 1170, quando o rei D. Afonso Henriques concede oficialmente esta zona aos mouros, povo de origem árabe e muçulmana que dominou regiões de Portugal e da Espanha entre os séculos VII e XV. Em Lisboa, essa dominação ocorreu entre 714 e 1147, data em que foram derrotados por D. Afonso Henriques com a ajuda dos Cruzados. Após a Reconquista Cristã, os mouros ficaram isolados na Mouraria, onde mantiveram suas tradições e atividades religiosas e econômicas. Sob a liderança de um alcaide, que também tinha o papel de juiz, a comunidade mourisca conseguiu certa liberdade religiosa, mas pagava impostos mais pesados que a comunidade cristã. Essa relativa liberdade foi interrompida em 1496, quando o rei D. Manuel I expulsou de Portugal judeus e muçulmanos que não quiseram se converter ao cristianismo.

    Mas a herança árabe e muçulmana ainda está presente no traçado urbano irregular característico dos locais mais pobres da Mouraria, os quais não passaram pelos processos de reurbanização iniciados nas décadas de 50 do século XX e que deram origem ao Centro Comercial da Mouraria e à Praça Martim Moniz.

    Largo dos Trigueiros, Mouraria
    Largo dos Trigueiros, Mouraria

    Talvez uma das principais influências dos mouros esteja na própria origem do fado, que teria inspiração nos cantos melancólicos islâmicos.

    Território híbrido

    O bairro também tem importantes edificações cristãs construídas após a expulsão dos mouros. Uma das mais emblemáticas é o antigo Convento de Santo Antão-o-Velho, na Rua Marquês de Ponte do Lima, que em 1542 se tornou a primeira fundação da Companhia de Jesus, onde foram educados os primeiros missionários jesuítas.
    A Mouraria manteve, ao longo da história, sua essência multiétnica. No século XIX, ficou conhecida por ser uma zona de probres e prostitutas. Hoje é um local habitado por portugueses e imigrantes africanos, indianos e chineses.

    Atrações da Mouraria

    No percurso que fizemos, passamos por locais pitorescos, como o Largo dos Trigueiros, onde podemos ver fotografias dos moradores mais antigos colocadas nas fachadas de suas próprias casas. O projeto, intitulado Tributo, é da fotógrafa inglesa Camilla Watson, que tem um ateliê no local.

    Fotos do projeto Tributo, Largo dos Trigueiros.

    Outro ponto alto do passeio foi o Largo da Severa, local onde viveu a fadista Severa, no século XIX, considerada a primeira cantora de fado. Digo que foi um dos melhores momentos da visita por conta da importância do Largo e por eu ter passado pelo local algumas semanas antes mas sem saber do que se tratava. No momento, o Largo é um verdadeiro canteiro de obras, mas, segundo o projeto de revitalização da Mouraria, a Casa da Severa será um café/bar com atividades relacionadas ao fado.

    Obras no Largo da Severa
    Obras no Largo da Severa

    Vale ressaltar outros locais que também chamaram nossa atenção durante o percurso, como a Igreja de São Cristóvão, as Escadinhas de São Cristóvão, a Igreja de São Lourenço, a Rua do Benformoso e o Largo do Intendente.

    Visitas guiadas pela Mouraria

    Esta visita foi oferecida pela Câmara Municipal de Lisboa excepcionalmente para o Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, mas existem passeios temáticos pela Mouraria oferecidos em qualquer época do ano, como os que são organizados pela Associação Renovar a Mouraria.

    Para saber mais:

    http://www.aimouraria.cm-lisboa.pt
    http://www.renovaramouraria.pt

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    Tirando a poeira

    Este blog estava abandonado. Ele é o exemplo do espeto de pau na casa de ferreiro. Nos últimos meses tenho dedicado boa parte do meu tempo para o trabalho de redatora freelancer para sites, por isso, nas horas vagas, o que menos quero é escrever. Entrei para o time das faxineiras que não arrumam diariamente a própria casa e das babás que não têm tempo para cuidar dos próprios filhos.

    Entrei para o time, mas ainda estou no banco de reservas, o que significa que tenho salvação.

    Além de colaborar com alguns sites, tenho me dedicado a uma atividade que requer muita disposição: turistar. Voltei para Lisboa para mais uma temporada e agora aproveito para fazer turismo em slow motion. Isso inclui visitas a museus, a bairros históricos, centro culturais, feiras gastronômicas, passeios guiados, enfim, tudo que eu possa desfrutar devagar e, de preferência, de graça.

    Poeira retirada, agora é hora de revitalizar o espaço. Depois de acumular algumas informações preciosas sobre a cidade, está na hora de compartilhar algumas dicas com os amigos e leitores.

    Video

    O que é SEO? Vídeo didático para entender o funcionamento dos motores de busca na web

    O que influencia os resultados de busca do Google e do Bing? Este vídeo de 3 minutos explica os elementos básicos para você entender SEO – Search Engine Optimization. A produção é da agência Common Craft, especialista em vídeos didáticos e criativos, em diversos idiomas, para explicar os principais conceitos relacionados ao mundo digital.
    Para assistir com o áudio em português, confira no site da Common Craft.
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    Livro Outubro de 71 comemora os 40 anos da adaptação de A Guerra dos Mundos no Maranhão

    Nesta quarta-feira (26), lançamos o livro Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos, que apresenta os relatos da equipe responsável pela adaptação radiofônica do livro A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, para o contexto da cidade de São Luís em 30 de outubro de 1971. A equipe da Rádio Difusora simulou notícias extraordinárias de uma invasão alienígena no planeta Terra e o pouso de uma nave espacial em Campo de Perizes, na saída de São Luís.

    Livro e CD Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos
    Livro e CD Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos

     

    A adaptação do livro não era novidade na história do rádio, já tinha sido feita em 1938 por Orson Welles nos Estados Unidos e gerou pânico em milhões de ouvintes. Mas a história era desconhecida pela maioria da população de São Luís, o que levou muita gente a acreditar no que era transmitido naquela manhã de sábado na Rádio Difusora. A versão maranhense aconteceu em plena ditadura militar e mobilizou até tropas do exército. Tudo isso foi resgatado da memória de cada integrante do programa e está registrado no livro que lançamos.



    Teaser produzido por Marcus Neves


    Encontro de gerações

    Em 2004, eu e os colegas Andreia Lima, Aline Cristina, Elen Mateus, Kamila Mesquita, Karla Miranda, Mariela Carvalho e Rômulo Gomes – na época estudantes do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão – pedimos ao professor Francisco Gonçalves da Conceição uma sugestão de um tema de pesquisa para o grupo. O professor propôs um estudo sobre a versão maranhense de A Guerra dos Mundos. Foi a primeira vez que todos nós ouvimos sobre a história.

    Claro que ficamos empolgados com a idéia e, sob a orientação do professor Francisco (Chico para os amigos), em 2005 iniciamos o projeto “Organização de fontes de pesquisa sobre o programa A Guerra dos Mundos, veiculado pela Rádio Difusora, em São Luís, no ano de 1971”. Os objetivos do projeto eram colher depoimentos dos produtores e intérpretes do programa A Guerra dos Mundos, recuperar e disponibilizar o roteiro e a cópia do áudio.

    Tudo isso foi realizado. Entrevistamos a equipe formada por José de Jesus Brito, o Sérgio Brito (roteirista), José de Ribamar Elvas Ribeiro, o Parafuso (sonoplasta), Manoel José Pereira dos Santos, o Pereirinha (direção técnica), José Marinho Raiol Filho, o Rayol Filho (apresentador do programa São Luis Hit Parade ) e José Faustino dos Santos Alves, o J. Alves (repórter). A versão maranhense simulou a invasão alienígena por meio de flashes jornalísticos para notícias extraordinárias que interrompiam o programa São Luis Hit Parade, veiculado nas manhãs de sábado pela Rádio Difusora.

    Mais do que resgatar as memórias que cada um tinha sobre o programa, queríamos ouvir relatos sobre a história da comunicação de massa na passagem da década de 60 para 70 em São Luís.

    Em cada entrevista temos um encontro de gerações: a minha, de estudantes formados na era digital, e a deles, de profissionais da comunicação de uma época em que a TV apenas engatinhava e o rádio era supremo na cidade.
    O projeto foi desenvolvido paralelamente a outras pesquisas do grupo. Foi concluído em 2008, mas não era justo nem produtivo ficar arquivado na UFMA.

    Com o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão- FAPEMA, o trabalho se transformou em um livro e um CD com a versão editada do programa original.

    Como já foi dito pelo professor Chico, o livro abre a caixa de pandora das versões sobre a adaptação maranhense de A Guerra dos Mundos. A caixa preta é o áudio do programa.

    Novidades

    Após as primeiras matérias de divulgação do livro surgiram muitos depoimentos de pessoas que ouviram o programa na época. Outro material importantíssimo, revelado agora, é o vídeo com o áudio e comentários feito pelo diretor técnico do programa, o Pereirinha, que está disponível no Youtube.


     

    Todas as informações que estavam guardadas e até mesmo esquecidas por 4 décadas estão vindo à tona com o lançamento do livro Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos. Todas as informações novas servem para enriquecer os registros dessa época.

    Fan Page: acompanhe as informações sobre o livro na fan page http://facebook.com/Outubrode71

    Como e onde comprar o livro
    Na próxima semana divulgaremos locais de venda do livro Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos.

    Mais informações
    G1: Programa de rádio que causou pânico no Maranhão faz 40 anos
    Blog do Ed Wilson: O dia em que marcianos invadiram São Luís pelas ondas do rádio
    Blog do Zema Ribeiro: Ficção científica alarmou a população*